domingo, 1 de maio de 2011
Tortura do pensar! Triste lamento! 
Quem nos dera calar a tua voz! 
Quem nos dera cá dentro, muito a sós, 
Estrangular a hidra num momento! 

E não se quer pensar! ... e o pensamento 
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós ... 
Querer apagar no céu – ó sonho atroz! – 
O brilho duma estrela, com o vento! ... 

E não se apaga, não ... nada se apaga! 
Vem sempre rastejando como a vaga ... 
Vem sempre perguntando: “O que te resta? ...” 

Ah! não ser mais que o vago, o infinito! 
Ser pedaço de gelo, ser granito, 
Ser rugido de tigre na floresta! 

Florbela Espanca


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